“O que é preciso é ser-se natural e calmo tanto na felicidade e na infelicidade, sentir como quem olha, pensar como quem anda, e quando se vai morrer lembrar-se que o dia morre, e que o poente é belo, e é bela a noite que fica”
leitura 8 dezembro, 2010
‘No céu nu e absolutamente azul nenhuma nuvem de amor que chore’
Clarice Lispector em ‘Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres’
outro momento, a mesma sensação 18 outubro, 2010
Há dois anos li ‘eat, pray, love’ durante umas férias deliciosas (pós-mestrado…) e num momento em que realmente precisava de um sopro de inspiração – foi excelente e me deu fôlego para um novo começo, resgatando várias coisas que eu sempre achei importantes na vida.
Agora vi o filme e foi igualmente estimulante, novas idéias brotando, mais fermento para a vontade de viajar, vontade imensa de fazer coisas mais prazeirosas e de me apaixonar intensamente por muito mais situações, músicas, desejos, planos e pessoas.
aquelas sentimentalidades 23 julho, 2010
Estou com esse trecho na cabeça (na voz no Arnaldo Antunes) a semana inteira:
“… tinha suspirado,
tinha beijado o papel devotamente.
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades,
e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas,
como um corpo ressequido que se estira num banho tépido;
sentia um acréscimo de estima por si mesma,
e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante,
onde cada hora tinha o seu encanto diferente,
cada passo condizia a um êxtase,
e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações.” (O Primo Basílio, Eça de Queiroz)
Lia muito mais na infância/adolescência do que leio agora e eram livros de uma determinada coleção ou então de mesmos autores. Teve a fase Coleção Vagalume (quem não teve?), especialmente os livros do Marcos Rey, daí Agatha Christie (todos!) e também os do Eça de Queiroz. Esse último foi da fase teen romântica…, tinha paixão pelos cenários de As Cidades e as Serras e Os Maias – fui visitar Sintra por causa de sua descrição da cidade – e adorava o sofrimento por amor, os encontros&desencontros, todos os dramas.
cartas extraviadas e outros poemas 7 julho, 2010
‘Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar.
Acordo pela manhã com ótimo humor mas … permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza.
Tenha vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo cultivando este tipo de herança de seus pais.
Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto seguro, um albergue da juventude.
Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e não me obedeça sempre, que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).
Seja mais forte que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem… gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço.
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade.
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês, mas me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca …
Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal.
Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia… isso a gente vê depois … se calhar …
Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora.
Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.
Não me conte seus segredos … me faça massagem nas costas.
Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Me rapte! Se nada disso funcionar, experimente me amar’
Eu, modo de usar – Martha Medeiros em Cartas Extraviadas e Outros Poemas
Tenho esse livro da Martha Medeiros há uns 10 anos, ele é cheio de anotações e post-its, com datas e sentimentos novos a cada vez que eu abro em um poema diferente, que já li e reli muitas vezes. O reproduzido aqui é um dos meus prediletos.
pendências 23 junho, 2010
A vida anda cheia de programações e por isso eu nunca estou em casa, essa falta de quietudo só tem me incomodado em uma coisa: minha pilha de leitura atrasada não pára de crescer!
Além da pilha por si só, outra coisa que me fez cair a ficha foi ter lido – ontem – uma notícia guardada de 6/jun: óh! Ando mesmo alienada e quando chego casa é tão tarde e eu já estou tão cansada que só consigo ler coisas rápidas, muitas vezes fúteis, as manchetes do jornal on-line (o que em copa do mundo não ajuda muito), alguns blogs leves e facebook> muito feio!
Um fato que agrava ainda mais a situação é ter na milha pilha livros de capa dura pesadíssimos… inviável de carregar para uma pessoa que vai trabalhar a pé! Enfim, estou cheia de culpas e desculpas e definitivamente precisando ficar mais caseira.
imponderável 19 agosto, 2009
“se até dia vinte ele me ligar, é porque vai rolar
se até quinta-feira não chover, passa a ser provável
se até seis da tarde o comercial passar duas vezes
é sinal de que tudo vai acontecer como o planejado
mulher adora dar um prazo para o imponderável”
Martha Medeiros em Cartas Extraviadas e Outros Poemas
“mas ninguém escapará à sedução da minha paciência” 12 julho, 2009
Adélia Prado
Esses dias me disseram: é só ter paciência.
Preciso me lembrar disso.
Living la dolce vita 5 outubro, 2008
Cheguei bem apesar de contratempos no aeroporto. Tudo tranquilo na entrada a não ser pelo fato de ter pego a mala errada da esteira e só ter percebido quase fora do aeroporto (!!!), ou melhor, foi meu pai quem notou porque por mim só teria visto na hora de colocar o pijama! E as malas nem eram tão parecidas assim, mas claro só fui pensar nisso depois que vi minha mala – a certa.
Imagine só a confusão para explicar essa bobeada para hispano-americanos (existe isso?) neuróticos com terrorismo, bombas etc… Se o policial não fosse tão fã de futebol e, consequentemente, do Brasil talvez eu tivesse tido problemas maiores. Enfim, entrei pela porta “authorized personnel only” voltei até a esteira e peguei a mala certa – azul e não preta…
Depois disso foi tudo muito ótimo. Calorzão, chuvas de verão, jazz no coreto (ou algo similiar) e uma feira de artes deliciosa do centrinho da cidade. Tudo isso acompanhado de uma ótima leitura: o livro que ganhei da Pri de aniversário “Eat, Pray, Love“, que conta as viagens da autora para países que estão entre meus top 10, India, Indonésia e Itália, em busca de beleza e satisfação pessoal, além do encontro consigo mesma. Ou seja, muito apropriado
O livro é tão gostoso que por alguns minutos desejei estar voando para Itália para vivenciar la dolce vita, mas estou muito satisfeita em estar na Flórida e daqui também viver a sweet life.
